Marquise de cinema iluminada dos anos 1930 — Walt Disney e a lição sobre autoridade e marca pessoal
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Gilberto Rocha Jr.

Palestrante, escritor, mentor e homem de comunicação, Gilberto Rocha Junior dedica este espaço para conversar com você sobre os assuntos em destaque e que merecem melhor análise.

Walt Disney: a traição que ensinou a nunca construir sobre o que não é seu

O segredo da autoridade invisível

Aos 21 anos, Walter Elias Disney — o Walt Disney — vendeu a própria câmera, falido, para comprar uma passagem de trem só de ida a Hollywood. Levava na mala um desenho inacabado e, no bolso, quase nada. Ninguém, olhando para aquele fracasso ambulante, apostaria que ali ia o homem que redesenharia a infância do planeta. A história dele costuma ser contada como uma epopeia de imaginação. Mas a lição mais útil que ela guarda não é sobre criatividade — é sobre marca pessoal e propriedade. Sobre de quem, afinal, é o seu trabalho.

Walt Disney e o fundo do poço em Kansas City

Walter Elias Disney nasceu em 1901, em Chicago, e cedo descobriu que talento e dinheiro não são a mesma coisa. Seu primeiro estúdio, o Laugh-O-Gram, montado em Kansas City, quebrou em 1923 quando um distribuidor simplesmente não pagou o que devia. Foi a falência que o obrigou àquela passagem de trem — o famoso recomeço do zero, com um rolo de filme inacabado como único patrimônio.
Em Hollywood, ao lado do irmão Roy e do animador Ub Iwerks, Walt se reergueu. E criou um personagem que, enfim, emplacou: Oswald, o Coelho Sortudo. Os cinemas o adoravam. Depois de tantos tropeços, parecia que a maré havia virado de vez.

A cláusula que ele não tinha lido

Foi então que Walt aprendeu, do pior jeito possível, a diferença entre criar algo e ser dono desse algo.
Os direitos de Oswald não pertenciam a ele. Pertenciam ao distribuidor — a Universal detinha o copyright do personagem. Em 1928, numa reunião gelada em Nova York, o produtor Charles Mintz revelou a Walt Disney que ficaria com Oswald e que, para não deixar dúvidas sobre quem mandava, já havia contratado a maior parte dos animadores da equipe de Disney para trabalharem para ele.
De uma só vez, Walt perdeu três coisas: a criação, os funcionários e o chão sob os pés. Tudo o que ele havia construído estava, no papel, no nome de outra pessoa.

A lição mais cara — e mais valiosa

No trajeto de volta de trem, humilhado, Walt tomou a decisão que mudaria a história do entretenimento. Nunca mais construiria sobre o que não fosse seu. Começou a rabiscar um novo personagem — um camundongo. Dessa vez, dono de cada traço, cada direito, cada detalhe. O ratinho se chamaria Mickey.
A diferença não estava no desenho. Estava na propriedade. Oswald tinha sido brilhante e alheio; Mickey seria brilhante e dele. E foi essa insistência em possuir a própria criação que transformou um animador falido no fundador de um império.

A "loucura do Disney"

O princípio se provaria de novo em 1937. Walt decidiu apostar praticamente tudo o que tinha em um projeto que a indústria inteira considerou suicídio: um desenho animado de longa-metragem, algo que nunca havia sido feito. Os céticos batizaram a empreitada de “Disney’s Folly” — a loucura do Disney. Previam que arruinaria o estúdio.
Branca de Neve e os Sete Anões estreou e virou o filme sonoro de maior bilheteria até então. A “loucura” fez fortuna. E, desta vez, o nome no cartaz — o nome que assinava a ousadia e colhia os frutos — era o dele.

O que a sua carreira tem a ver com Oswald

Agora troque o estúdio de animação pelo seu escritório, seu consultório, sua empresa.
Quantos profissionais brilhantes passam a vida construindo o Oswald de outra pessoa? Constroem reputação que fica com o empregador, resultado que engorda a marca da firma, autoridade que evapora no dia em que trocam de crachá. Fazem o trabalho genial — mas os direitos, a visibilidade e o nome pertencem a outro.
Não há nada de errado em trabalhar para alguém. O erro é construir exclusivamente ali, e nunca em terreno próprio. Porque emprego acaba, cargo muda, plataforma quebra, sociedade se desfaz. O seu nome é o único ativo que ninguém pode assinar no lugar do seu — e é também o mais negligenciado.
Uma marca pessoal sólida é justamente isso: a garantia de que a autoridade que você constrói ao longo de anos fica registrada onde não podem tirá-la de você.

Construa no seu nome — enquanto ele ainda é só seu

Foi para isso que nasceu o Virada de Marca: ajudar profissionais de excelência a construírem autoridade sobre o próprio nome, e não sobre o de terceiros — transformando competência técnica numa marca pessoal que é patrimônio, não empréstimo. Não para abandonar o que você já faz, mas para garantir que o crédito, a visibilidade e a reputação fiquem com quem realmente os merece: você.
Walt Disney precisou perder Oswald para entender. Você não precisa.
E você — está construindo o seu Mickey, ou o Oswald de outra pessoa?

Este artigo faz parte da série "Autoridade tem História", em que revisito grandes nomes do empreendedorismo para extrair lições atemporais sobre marca, visibilidade e influência.

Foto de Gilberto Rocha Jr.

Gilberto Rocha Jr.

Locutor, Ator, Dublador e Jornalista. Idealizador do projeto: "Virada de Marca"

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